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Só quem ama, vive o verdadeiro amor.
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CONTO 2030 - MUNDO POS PANDEMIA
O mundo tem vivido conturbado de pensamentos mirabolantes, conduzidos por logaritmos binários produzidos em sistemas computacionais. Enquanto isto as pessoas se perdem no xis tecnológico, esquecem a própria identidade e confundem a real sexualidade.
Para completar a perturbação humanitária, surge uma figura enigmática, de origem desconhecida, talvez saída de alguma catatumba ou cova, deram-lhe o nome de covid. Semelhança na raiz do vocábulo, ironiza um trocadilho que convide à cova. Funesto e assustador o pânico causado.
O mundo será da Geração Y e Z. O Tio que for antes dela é ET (extraterrestre). Outro dia, caminhando pelas ruas, fitei um olhar sobre jovens na calçada, com estilo masculino-feminino. Não sabia se era menino ou menina, cabelos raspados, piercing e tatoo.
Recordei-me à música de um “hoje velho” cantor Pepeu Gomes: “se Deus é menino e menina, sou masculino e feminino.” O outro virou para mim e indagou:
- Qual é, tiozão? Nunca viu uma “vaibe” como a nossa? Tá na moda, véio!
Outro tirou do bolso um enrolado de papel, socando à mão, pegou um isqueiro, e ofereceu-me com a melhor das intenções:
- Vai uma canabis pra ficar beleza? !
Imediatamente, veio-me a lembrança outra canção de um cantor de minha época: “- pra ficar maluco beleza”. Se não tinha colírio, usava óculos escuros para disfarçar. Parecia que, num ciclo de reencarnação, pus-me ao cálculo da média de 144 anos, o Raul retornava para aperfeiçoar sua arte. (Considere-se que falecido em 1989, com 44 anos, agora passados 32 anos, um segundo ciclo de sua débil alma, que não pôde completar sua poesia).
Fumar baseado, maconha, canabis é ato normal não precisa de disfarces.
As canções que ouvia em minha adolescência pareciam atuais e emergentes. Eu, já de idade mais avançada, mas ainda com algum vigor para o trabalho.
Noutro bloco, do outro lado da rua, com a maior naturalidade, as meninas se enturmavam entre elas, e, os meninos entre eles. Recordava-me novamente aos gibis de minha infância, nas entrelinhas da Luluzinha e do Bolinha. O Clube da Luluzinha havia uma tabuleta: “meninos não entram”. Sexos opostos à esta altura eram caretas. Tudo do mesmo sexo.
Contentavam-se com as pegações normais entre meninas e meninas, e meninos com meninos. Casamento, instituição falida.
Oh! Mas cadê a família? Poderia parafrasear outra canção: “família é pra quem precisa de família”.
Vai a parêmia: “anjos têm sexo?” Anjos têm família? Anjos, portanto, são jovens que gostam de curtição. Não precisam de mais nada. Vivem, viajam, fumam, bebem, cheiram qualquer coisa que possa inebriar-se na profundeza da alma. A perfeição do ego (eu) acontecia naquele momento.
Não leiam, nem tampouco se interessam no aperfeiçoamento empírico ou até mesmo místico.
    Tudo parecia perdido, depois daquele invisível personagem que dessolou populações enormes, restava ali a esperança de viver na libertinagem e sem sentido, digo, sem qualquer eruditismo cultural e intelectual. Noutra época, um amigo dizia-me que, acima de sua potente intelectualidade, sentia-se um “analfabite” em matéria tecnológica. Vou-me mais ou menos para este caminho, um bibliófilo contumaz e que conservou uma larga bagagem intelectual, porém, quedo-me aos mexericos do mundo binário computacional.
    Naquela geração, agora os logaritmos são regras e falam por si, não precisam de esforços mentais, e, até mesmo decidem por eles, jovens futuristas, os prazeres da vida, da carne, da sexualidade e nova família social.
    Perderam a própria identidade de ser humano, e, num toque binário (0.1) se encontram para um par cromossômico qualquer (xy, xx ou yy). Valores? Quais?
    Eis a plêiade angelical do momento, e, quem não faz parte da tribo é  um “tiozão”.
    

ROGERIO MARQUES SEQUEIRA COSTA
Enviado por ROGERIO MARQUES SEQUEIRA COSTA em 05/01/2023
Alterado em 05/01/2023
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